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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Certezas

Os dias começam todos iguais. Não sabemos como vão terminar, mas há partida sabemos como vão começar.
Esperamos que o despertador toque, que o sol nasça. O leite na mesma malga, arrumada no mesmo sitio. Os mesmos cereais e os mesmos minutos contados.
A chave roda para fechar a porta atras de nós e os passos levam-nos até á escola. Há tempo para sorrir, para ir fazendo umas brincadeiras a 3 pelo caminho. Para nos empurrarmos, para rir.
Há a certeza de do amor. Gigante. Do tamanho do mundo. Do tamanho dos nossos sonhos.
Há a certeza que não sabemos como o dia irá acabar mas sabemos que começa com este amor. O nosso amor, ao nosso ritmo. Só para nós. Nem que seja apenas por mais um dia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Bilhetes de amor

Estes dias vi escrita na borracha do meu filho um A+M e um coração.
Perguntei o que era. Diz ele que é uma menina que gosta dele e escreveu na sua safa (borracha) aquela junção dos nomes com um coração.
Não me ri para ele não se sentir envergonhado e disse que era normal que no meu tempo também se fazia isso.
Por momentos retrocedi aos meus tempos de escola.
Todas as minhas colegas recebiam bilhetinhos e corações. Eu não. Parecia a "gorda" (embora não o fosse) que nunca ninguém a quer.
Não sei bem como funciona actualmente, mas aparentemente também se mandam bilhetinhos e corações. Afinal não é apenas tudo transmitido via instagram, facebook ou whatsapp.
No meu tempo, eu era como se fosse a "gorda" no canto, de óculos, na espera ansiosa de receber um bilhete que não chegaria jamais.
Eu esperava qualquer um, nem que fosse mal escrito, com erros, numa folha rasgada, num guardanapo, num lenço de papel... desde que viesse.
Poderia até ser anónimo, até era giro ficar a pensar quem seria o Don Juan. Mas nada. Nunca.
Hoje, em adulta recupero tudo, tenho um Homem que me mima com tudo : tenho surpresas, bilhetes, rosas, prendas e recados no espelho com baton.
Tu das-me tudo.
Há sempre uma "gorda" no dia dos namorados, que fica sentada ao canto, à espera do bilhetinho.
Se as coisas correrem bem, pode não ser agora, mas haverá um dia em que ele aparecerá com bilhete ou sem, mas certamente com amor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Coisas minhas

Não ando nos meus melhores dias, é verdade.
Não sei se preciso de um novo corte de cabelo, de emagrecer, se preciso de roupa nova, de tudo junto, ou de nada disto.
Talvez seja só o SPM (Sindrome pré menstrual) de que agora tanto sofro.
Estou no trabalho apenas a pensar no momento de chegar a casa, nos nossos fins de semana que têm sido maravilhosos, de ter tempo para mim e para o meu marido, para as nossas conversas, para as nossas músicas, as nossas séries e os nossos filmes, para fazer os nossos planos e para rirmos juntos.  Fazer o jantar com gosto, com música ou uma novela, com ingredientes escolhidos a dedo. Gosto da  serenidade que conquistámos. Ouvir as historias do meu filho e aconchega-lo na cama.
Dias que são iguais a tantos outros mas que me enchem o coração.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Filhos de coração

Há dias, vi num programa de Tv a actualização da historia da Alexandra.
A Alexandra era aquela menina Russa que foi para casa de um casal Português e ali viveu 5 anos ate ser retirada pelo tribunal para ir de volta para a Rússia com a sua mãe biológica.
A mãe biologia batia na filha, maltrava-a, a miúda estava sub-nutrida e este casal acolheu-a, deu-lhe uma família, amor e condições para ela se tornar uma criança estável. Tudo tentaram para a adoptar legalmente mas tal não foi possível. A mãe biológica entre bebedeiras e drogas lá a ia visitando.
Quem não lembra de ver todos os canais a transmitir em directo o dia em que a menina foi entregue a mãe? Os gritos e o desespero. Mas foi a decisão dos nossos tribunais. Ela era a mãe biológica e por isso tinha direito. Mesmo não lhe dando estabilidade, amor, carinho, comida e roupa lavada. O essencial.
A menina foi para a Rússia viver em más condições, e sabe Deus como.
Passados agora 9 anos a Alexandra não tem contacto assíduo com a família que a acolheu, com o pai e mãe de coração.
O verdadeiro amor por um filho não depende dos laços de sangue, da idade, do sexo, de ter esta ou aquela personalidade, de se comportar desta ou daquela maneira, de ter este ou aquele problema de saúde, aquela limitação. Pai é quem cria, é quem dá amor, e para esta família aquela menina será sempre sua filha, mesmo que não o seja.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Tal Pai, tal Filho?

Frase feita, mas bem verdade. Os pais são os exemplos dos filhos. Não só em palavras, mas em atitudes e personalidade.
As crianças criam hábitos de acordo com o que vêem ou aprendem, por isso, muito se fala em dar um “bom exemplo”. Mas, o que é um “bom exemplo”?
Um “bom exemplo” é aquele que é dado de forma falada e também com atitudes. O que adianta os pais dizerem aos filhos para serem trabalhadores se os pais estão em casa o dia todo a viver de uma pensão de desemprego e não lutam por nada? Que adianta pedires ao teu filho para não gritar, se o pedes a ele isso, em BERROS? Que adianta dizeres ao teu filho que é errado mentir, se ele te vê a mentir a alguém? Qua adianta pedires ao teu filho que lave os dentes todos os dias, se tu não o fazes?
Os valores são passados de pais para filhos. As crianças estão muito atentas as nossas atitudes e repetem o que fazemos.
Além disso, do que lhes transmitimos, também a nossa personalidade, mesmo que não o queiramos, se vai transportar para eles. Se és uma mãe medrosa, insegura, o teu filho poderá também se sentir inseguro. Se és nervosa, histérica, o teu filho poderá ser também. Assim como se és uma pessoa determinada, confiante e segura de ti, esses valores também passam para a criança, que funciona praticamente como uma esponja a absorver tudo á sua volta.
É importante perceber que as crianças também tem a sua própria personalidade, mas são os pais os responsáveis por incutir valores, independência e auto estima para que eles tenham a segurança e confiança que muitas vezes nos falta a nós.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

De volta ás rotinas


Começamos oficialmente hoje o novo ano escolar, já que ontem foi apenas para aquecer os motores, para a apresentação ao Diretor de Turma, para conhecer a nova escola e fazer amigos.
Hoje sim, no 5º ano, numa escola nova, com rotinas totalmente novas, lá o deixei no meio de tantos outros, de mochila com o lanche as costas, um telemovel silencioso escondido para os professores não ralharem, mas para ele ter a segurança de ligar á mãe se necessário.
Deixei-o entrar e senti os seus pequenos olhos postos em mim lá de dentro. Perguntei o que se passa, diz-me que não chegaram ainda os amigos, mas que ia à papelaria comprar a senha da cantina.
Ás tantas lá viu um amigo e la foram abraçados, em busca da nova sala de aula.
Ele está bem, é um Homem, desenrasca-se, mas o meu coração de mãe bate depressa. Fica apertado. Fico com aquele friozinho na barriga. Apetecia-me ir com ele, mostrar-lhe tudo e ajudar, mas sei que é um caminho que ele tem que fazer sozinho.


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Da falta de paciência

Há uns valentes anos atrás, estava eu num café da minha cidade, quando o dono do café deu 2 estaladas no filho (que trabalhava lá com ele) em frente a tudo e todos.
O miúdo não devia ter mais de 16 anos e trabalhava com o pai desde sempre. De sol a sol. Não teve infância, pouco estudou e o pai achava de para o disciplinar o melhor era dar-lhe estalos em frente a todo o café. Aquilo marcou-me. Marcou-me de tal maneira que hoje vos estou a falar nisso.
E falo nisto porque vejo cada vez mais pais a perderem as estribeiras e a ameaçar os filhos com uma chapada ou algo mais.

Falo nisto porque ainda há dias presenciei uma mãe que não satisfeita com o que o filho de 9 anos estava a fazer gritou em plenos pulmões para quem queria ouvir que lhe dava 2 estalos.
Eu nunca levei palmadas e sabia bem quando estava a fazer algo de errado.
A questão aqui, e cada um saberá como educa os seus filhos, é dar as palmadas no rabo porque realmente a criança se portou mal, ou se as palmadas já são derivadas de impaciência dos pais que muitas vezes estão demasiado ocupados a enviar sms e a ver televisão para tomar atenção ao que o próprio filho tem a dizer!! 
Penso que é mais por aí.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A minha mãe e eu!

A minha mãe sempre fez mil coisas para me proteger, hoje parece-me um exagero, mas em criança, acatamos sem questionar. Eu não andava na rua à noite porque fazia frio, não comia gelados porque faziam mal à garganta, sempre penteada e bem vestida, não corria muito porque podia cair..... enfim, uma infância super protegida que me privou, vejo hoje, de muitas coisas.
Lembro-me bem de ser criança. Consigo fechar os olhos e lembrar-me das tardes que passei sozinha em casa nas férias, ou quando por vezes ia para casa dos meus avós. No fundo foi uma infância feliz, dentro daquilo que me era oferecido.
Quando não tens termo de comparação, és verdadeiramente feliz. 
Os nossos pais, já na nossa infancia mudaram muito, eles foram crianças  do tempo da ditadura e a disciplina e rigidez era coisa certa. O meu pai chegou a passar muitas dificuldades, nomeadamente fome. A minha mãe não. Vinda de uma familia de mais meios, da cidade (como se dizia) não teve tantas carencias. 
Sei que os nossos pais, quando foram eles proprios pais, tentaram ser diferentes dos pais deles, tentavam ser mais compreensivos, mais tolerantes, mas sempre dentro do que ainda estava enraizado dentro deles. 
Havia sempre um "deixa o teu pai chegar do trabalho que já conversamos" e muitas ameaças do "em casa conversamos", em minha casa não, mas sei que pais da geração dos meus ainda utilizavam a celebre chinelada, palmada e estalo. Já não havia vergastadas com cintos (como o meu avô fazia ao meu pai) mas havia ali ainda algo que estava entranhado nas suas próprias educações.
Ainda hoje, na minha geração ainda há pais assim, do pensamento "no meu tempo levava umas palmadas e não me fez mal nenhum". Felizmente já há mais dos que pensam que não é necessário bater ou sacudir as moscas para se fazer ouvir.
Os tempos e os contextos são diferentes, as circunstâncias são diferentes e os recursos que temos agora tambem são diferentes. Sei que a  minha mãe fez o melhor que sabia com os recursos que tinha. Eu faço o melhor que sei com os recursos que tenho.
Na minha casa já não existia o tratar a mãe por "você", mas ao mesmo tempo acho que deveria ter havido um pouco mais de aproximação. Física. Abraços, beijos, carinhos.
Hoje com o meu filho sei que tento compensar tudo isso, eu beijo, eu abraço, eu afago, eu mimo.  Também resmungo, disciplino. Também chocamos, faz parte.
Não me revolto, os meus pais fizeram o que achavam que era melhor para mim. Eu faço o que acho melhor para o meu filho e hoje consigo compreender muita coisa quando ela dizia "um dia vais perceber, quando fores mãe."
Hoje compreendo sim, posso não concordar, mas compreendo.

sábado, 19 de maio de 2018

A propósito do dia da familia

Já disse aqui várias vezes que antes de ser mãe não achava piada nenhuma ás crianças. Na minha juventude sempre tive a certeza que nenhuma criança alguma vez gostaria de mim porque não tinha jeito nenhum, nem paciência para eles.
Hoje no papel de mãe, vejo o quanto o meu filho me ama e sinto-me sem palavras.
Sou muito realizada e feliz. Tenho o Homem mais maravilhoso que há, que é também o melhor pai do mundo.
Peço a Deus para que eu esteja sempre à altura da palavra mãe e que eu o ame, guie, oriente, eduque e prepare para a vida, o melhor que conseguir, para que o meu filho cresça com responsabilidade e valores. Para que encontre o seu caminho e seja feliz.

terça-feira, 10 de abril de 2018

De bebé a rapaz

Tenho visto meu menino crescer a passos de gigante. De bebé que dependia de mim para tudo, hoje é um menino autónomo e cheio de confiança. É um orgulho que me enche o coração.
Já começa a desejar mais liberdade, quer ir para casa dos amigos, quer conhecer e vivenciar tudo o que pode. É um explorador cheio de vontade de ver e aprender. Quer ir , dormir fora, estar com os amigos, mas na hora de chegar a casa, é o mimo do pai e da mãe que aquecem o seu coração.
Está a ficar um pré-adolescente como ele próprio diz. Não se contenta com meias verdades ou com conversa da treta, e com toda a sua razão, sempre que pode tenta me convencer do seu ponto de vista. Temos embates que duram o tempo de dois teimosos dar a mão, dar um abraço e ceder.
Senhor do seu nariz (e ainda bem) só quero que seja sempre muito feliz. Que sejamos, os 3 juntos!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Criança para sempre

Para os meus pais, sou a eterna criança.
Tenho 39 anos feitos, a caminho dos 40 e para eles sou a mesma inocente e cabeça no ar da adolescência.
A minha mãe muitas vezes (tantas, que lhe perdi a conta) me perguntava se eu dava o leite ao menino quando ele era pequeno. Se lhe dava fruta, sopa, se fechava a porta da rua á chave antes de ir para a cama.
Penso que eles ainda não me vêm como mãe, esposa e mulher feita. Sou aquela menina, filha unica que eles sempre protegeram ao máximo nível. Já me aborreci muito, com as duvidas que sem querer eles lançavam em mim, se eu seria capaz, se eu sei fazer, se eu seria madura para algo.
Custou-me muito crescer. Quebrar o laço que nos separa de criança para adulto e sei hoje que essas duvidas e medos que eu tinha se deviam ás próprias duvidas que eles tinham de mim.
Hoje não me incomodam nada essas duvidas. Estou completamente resignada e em Paz.
Não me incomoda nada os receios deles, as duvidas e o facto de eu ter 10 anos na mente do meu pai e mãe.
Não me incomoda, porque hoje sei quem sou e do que sou capaz. Sou mãe, esposa, trabalhadora, dona de casa e tudo mais.
Não me incomoda porque sei que apesar de tudo eles me amam mais que tudo, que nunca o fizeram por mal,  e que serei sempre a sua menina.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Dádivas

Há dias, numa das nossas longas conversas, o meu marido disse-me que devíamos sempre lembrar-nos de quando sonhávamos ter o que temos hoje.
Hoje quereremos sempre mais e mais, nunca estamos satisfeitos, mas na adolescência o que eu sonhava para mim era exactamente o que tenho hoje.
Sonhava ter um  marido que amasse imenso e ele a mim,  um filho maravilhoso, uma casa a que pudesse chamar de lar, um emprego estável, saúde e felicidade.
Hoje tenho tudo isso e muito mais. O meu marido e filho são muito, mas muito mais do que aquilo que eu alguma vez me permiti sonhar.
Sei que tive a bênção de encontrar o melhor marido do mundo e o melhor pai para o meu filho. Não é cliché, é a mais pura das verdades. Ele trabalha imenso, por vezes até demais, mas a  sua prioridade somos sempre nós, eu e o filho. Renuncia de tudo para ele, em prol de nós. Vontades que tem, sítios onde quer ir, eu sei que somos sempre nos que decidimos tudo.
O Pai do meu filho ama-nos de verdade. Sabe brincar connosco,  ama-nos incondicionalmente, conta as melhores histórias, e ambos (pai e filho) têm um maravilhoso sentido de humor e riem-se das mesmas coisas.
Sabe repreender e mimar. Chamar a atenção e valorizar. Motivar, incentivar, encorajar. Desempenharia papel de pai e mãe se algum dia fosse preciso.
Sei que tenho hoje muito mais do que aquilo com que alguma vez sonhei. Eles são muito mais do que eu imaginava que podiam ser. E sei que a maior dádiva que eu podia dar ao meu filho, eu dei, que foi  ter este Pai.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sobre a Felicidade

A semana passada o meu filho esteve doente. Nada grave, felizmente, mas sempre o suficiente para nos tirar dos eixos, para nos tirar o sono, o descanso e dar lugar à preocupação.
Quando o meu filho não esta bem, eu não estou bem. Ele não dorme, eu também não durmo. Passo as noites ali, no leito da sua caminha a olhar para ele, e a pedir a Deus que melhore para que possa descansar melhor.
O Pai é o nosso pilar. Aquele que nos acalma, que nos lembra de respirar e organiza os nossos sentimentos. Com a preocupação dele, mas com uma calma controlada que nos transmite segurança.
Já melhor, ontem o pequeno adormeceu na nossa cama, "como se fosse uma panqueca" diz ele e pergunta-me: "Mamã, porque é que tudo me dá vontade de rir?"
"Oh, Filho, porque és feliz!"

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Isto de sermos adultos

Sem muitas palavras, leiam este texto com que me cruzei hoje. 
Trouxe-o aqui por me identificar tanto e por mais que isso, por me fazer pensar.
"Passei a última semana a pensar num status de facebook da minha amiga Rita. Dizia ela, a propósito da recente compra de casa,  qualquer coisa como "agora que tenho uma hipoteca para pagar penso que cheguei ao estado adulto". Na caixa de comentários os amigos divagaram nisto de se ser adulto, de quando o tinham sentido pela primeira vez, de quando se tinham confrontado com essa inevitabilidade sem retorno, desse já não cresço mais, só envelheço, desse já não sou criança mas também ainda não sou velho, disso tudo.
... enquanto faço o jantar de umbigo encostado ao fogão e outras tarefas e imagens igualmente glamourosas deste estado adulto, uma mãe que eu conheço perdeu um filho na barriga. Assim: um dia estava lá a crescer e a querer nascer e na manhã seguinte já não estava. Como pode a natureza perverter tudo e fazer com que a morte se antecipe à vida? Como pode alguém morrer antes de nascer? Como pode uma mãe ser orfã de filho? Como pode a vida deixar uma mãe sair da maternidade de colo vazio? Como pode esse Deus que se apresenta como bom e misericordioso permitir que irmãos que esperam um bebé ficarem com os sonhos esvaziados?
Fui visitar aquela mãe. À sua cabeceira a própria mãe e a primeira resposta à minha frente: somos adultos sempre não que temos medo da vulnerabilidade de querermos, assumidamente, sem medos nem receios, urgentemente, o colo das nossas próprias mães. 
No dia seguinte encontrei-me com os irmãos. O mais pequeno olhou para o céu e disse que o bebé era agora uma estrela, aquela ali, a mais brilhante e orou baixinho. Comovi-me e vim para casa com um nó na garganta. A minha filha recebeu-me particularmente afectuosa, pressentindo o meu estado triste e desanimado. No sofá disse-me: "Mamã, queres vir para o meu colo?" Pensei ter ouvido mal: "Queres vir para o colo da mãe, Ana?" Que não e repetiu "Não queres tu vir para o meu colo hoje,
mamã?"  Fui. Não me perguntou nada, não lhe contei do meu dia, não foi preciso nada, nem palavras, nem explicações. A minha filha deu-me colo. 
A resposta final. Ali. Hoje, para mim, a certeza de que somos adultos quando sabemos o poder de um colo: conhecemos a importância que tem oferecê-lo  a quem precisa e o poder de o receber quando precisamos. 
Somos adultos quando damos colo. E, mais ainda, somos adultos quando somos ainda demasiado pequenos e frágeis para recebermos colo das nossas mães e ainda assim suficientemente humildes e vulneráveis para aceitarmos o colo dos nossos próprios filhos. "

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Filho unico

Sempre que ouço alguma  "sábia" a dizer que a dizer que as pessoas hoje em dia não têm um segundo filho filhos porque são egoístas, que não querem perder o sono, a  vida livre, apetece-me dar-lhes uma bofetada.
É que é exactamente o contrário. As pessoas (pelo menos as pessoas que eu conheço, gente sensata) não têm mais filhos porque se preocupam com eles e querem dar um mínimo de atenção e qualidade de vida ao que têm.
Eu, por mim, garanto-vos, tinha mais um ou dois filhos, adorava mas neste momento e com a vida que temos, sei que teria que alterar muito o meu dia a dia familiar, para já não falar em contas. Para ter mais que um filho, o meu não poderia andar na piscina, futebol e centro de estudos. O dinheiro não estica.
É preciso pagar fraldas, leites, amas, creches, colégios e escolas. Actividades saudáveis, um desporto pelo menos. Prolongamentos nas escolas, pois os pais trabalham 8h por dia e não têm disponibilidade de ir buscar e levar os meninos ás horas certas.
Nas férias onde os deixar quando não há possibilidade de ficar nos avós? Em centros de actividades caríssimos.
Tudo isto, multiplicado por 2 ou 3. É muito complicado e não, não é por perder o sono!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Ser criança até poder...

Quando era pequena, nas férias ia para a casa dos meu avós.
O meu avô era Sacristão na Igreja da terra e íamos á missa. Era algo que eu gostava, dos canticos, das vozes em sintonia. O leitinho e o pão com manteiga no café e a volta a casa a pé pela linha do comboio.
Na casa da minha avó não havia brinquedos. Brincava na rua, ou com as bonecas que levava.  Brincava ao faz de conta com a minha prima durante tardes inteiras e brincámos até muito tarde nas nossas vidas, o que, aparentemente, não nos fez mal nenhum.
Hoje acho que as crianças não brincam o suficiente. É a exigência dos estudos, é o dia inteiro na escola. No meu tempo saía as 15h da escola ainda tinha tempo de fazer deveres e brincar.
Brincar é importante. É o que distingue as crianças dos adultos, o mundo do faz de conta.
Na minha casa há muitos brinquedos. Há bolas, carrinhos, roupas de super-herois, máscaras, puzzles... O meu filho brinca um pouco todos os dias. Espalha tudo pela sala, veste e despe equipamentos de futebol. Experimenta. Improvisa. Inventa.
É deixá-los brincar, é importante.
Claro que nem sempre me apetece, ou não me dá jeito. Há dias em que preferia mesmo que ele ficasse quietinho que não desarrumasse. Mas depois lembro-me que eles não crianças para sempre.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Palavras que podiam ser as minhas

Texto tão lindo sobre a maternidade! Sobre o não existir a chamada mãe perfeita.
Ora vejam:


"Desde que o seu filho esteja saudável e em segurança, as decisões que tomas como mãe, não são da minha conta.Ninguém tem que achar bom ou mau se o teu filho vai para uma escola X ou Y. Se o pediatra dele é o mais famoso da cidade ou se optaste por um médico que só trabalha com medicina alternativa. Não afecta a vida de ninguém se o teu filho só come comida caseira, ou se adora as papinhas prontas. Se ele sabe cantar as músicas dos desenhos, ou se na tua casa é proibido televisão. Se ele dorme no teu quarto, no quarto dele, ou no sofá da sala. Se a tua  menina faz ballet, o menino futebol ou vice-versa.
Sabes o que realmente importa? Importa que o teu filho é amado, é acompanhado por um profissional da área de saúde, é alimentado, brinca, dorme num local seguro, e pratica actividade física.
Ser mãe já é difícil, o coração de uma mãe carrega dúvidas e medos. Sem falar no sentimento de culpa, que nos acompanha desde o teste positivo.E ainda há mães por aí que se acham no direito de julgar as escolhas das outras mães? Vamos erguer a bandeira branca, rosa, amarela, azul, seja lá qual for a sua cor.
Eu quero-te como aliada. Para que juntas possamos falar das nossas inseguranças. Para que chores de

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Este amor que me enche o peito

Na outra noite choraste. Vieste ter comigo à cama e abraçaste-me. Doía-te um dente.
Deitei-me na cama ao teu lado e dei-te a mão.
Na tua cama ainda sentia as  migalhas da última bolacha que lá comeste espalhadas pelos lençóis e magoavam-me a pele.
Respirei fundo para te poder cheirar. Cheiravas a protector solar ainda mal tirado. No silêncio ouvia a tua respiração misturada com pequenos gemidos da tua dor de dentes.
O xarope deu tréguas à tua dor e pediste-me uma historinha. Contei-te uma inventada por mim de uns esquilos que... adormeceste.
No quarto ao lado ouvia a respiração do teu pai... Abri os olhos na escuridão, sorri e agradeci.
Sou tão feliz!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Pais dos nossos pais



Muitas vezes não paramos para pensar nisso, mas os nossos pais estão a envelhecer.  E a verdade é que temos que estar preparados para quando essa fase chegar. A velhice torna-os carentes, necessitados de atenção, mimo e de ouvidos pacientes que escutem as suas histórias, vivencias e lembranças. São essas lembranças que farão com que eles se sintam vivos.
O processo é o normal, os seus ossos  vão ficar mais fracos, assim como os dentes, as peles caídas, o corpo mais franzino. A mente fica mais confusa e vai fazer com que repitam as coisas mais vezes, demoram mais tempo a contar as histórias e isso vai por a prova a nossa paciência.
Tentarão provar-nos que alguma coisa na nossa vida ocorreu exactamente da forma como descrevem, e mesmo que saibamos a verdade, concordar pode ser a melhor decisão, pois estão mais sensíveis com a idade.
Os papéis invertem-se. Por muitos anos necessitamos dos cuidados dos nossos pais e agora são eles que mais precisam de nós. Mais do que coisas físicas, precisam da nossa atenção e companhia. Paciência  ao esperá-los quando os seus passos estiverem lentos e as pernas fracas  e de saber ouvir quando a fala  estiver confusa.
Tudo isto é meio assustador, percebermos que temos que assumir o papel de pais de nossos pais, mas no fundo faz parte da vida!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das saudades



E quando dás por ti e estás sem filho?
É quando percebes que estas a envelhecer. Ele vai uns dias para fora e torna-se estranho, não estou habituada a não ter o meu filho em casa e a não ter que pensar em nada, não ter que o ir buscar, ajudar a dar banho, deita-lo. A verdade é que, por vezes, sabe bem não ter horas e compromissos, mas, fora há 3 dias as saudades já começam a apertar.
Hoje, acordei e confesso que por momentos me esqueci que estávamos sozinhos e quase fui ao quarto dele dar-lhe um beijo de bom dia.
Ele está super divertido onde está, rodeado de amigos e pessoas responsáveis, mas, estar em casa sem filho é estranho, parece que falta alguma coisa. A casa fica silenciosa e vazia…
São momentos que fazem parte do crescimento deles e aos quais temos que nos habituar, faz-lhe bem à autonomia e independência, e, quando chegar virá cheio de mimo e nos cá estaremos para lho dar!