quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Limpezas

Estive a limpar a minha caixa de email. Aquela onde recebo tudo.
Estive a organizar tudo por pastas. Organizar o que me interessa ter, como copias de documentos e fotografias, e o que já não tem importância.
Estive a rever histórias. A rever pessoas.
Tenho a mania de guardar tudo. Antes ainda de haver What's App eu falava muito com as minhas amigas por e-mail, tinhamos á especie de um grupo onde partilhávamos tudo. Hoje, ainda guardo essas conversas mas é nostalgico perceber que já não falo para algumas dessas pessoas e de outras estamos tão afastados que são quase como apenas lembranças.
Lembrei-me da forma como éramos, lembrei-me da forma como nos afastamos. Coisas das quais já não me lembrava. Conversas que recordei com carinho e conversas que me irritaram pois o tempo fez-me perceber que não espelhavam a realidade.
A vida é mesmo assim, uns vão outro ficam e outros aparecem. Já fui muito saudosista e melancólica, mas hoje percebo que as pessoas são o que são e têm as suas prioridades, se não ficam na minha vida é porque nem sequer vale a pena que fiquem.

Realidades

Há uma expressão que encaixa na perfeição no nosso dia-a-dia. O que não nos mata, torna-nos mais fortes. Parece cliché, mas é a mais pura verdade.
O bom e o mau, o óptimo e o horrível, tudo contribui para aumentar as nossas resistências às vicissitudes da vida. Cair obriga-nos a levantar. A verdadeira força vem daí: das quedas.
Embora a gente nem se aperceba, porque ficamos mal e em baixo, são as quedas que nos fazem crescer e ficar mais fortes.
Há quedas que nos magoam mais que outras, que nos fazem pensar que nunca vamos ser capazes de nos levantar. Quedas que nos fazem duvidar de tudo, fazem-nos sentir que não somos nada, que somos os mais infelizes e os mais azarados.
Mas não somos.
Existem dias melhores e dias piores. E vamos chorar, vamos desesperar e sofrer, mas infelizmente faz parte da vida. Havemos de ter dias em que parece que não aguentamos sofrer tanto, em que dói tanto que até custa respirar. Mas depois virão dias melhores, ou pelo menos mais serenos.
E há-que enfrentar, encarar a realidade, que nem sempre é meiga... Mas é a realidade. Nada se pode fazer para a alterar, mas podemos alterar a maneira como a encaramos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Relembrar é viver

Li isto algures estes dias e deu-me uma nostalgia......
Quem se lembra deste brinde da Matutano?
Era uma colecção de brincos de plástico coloridos, que fez a delícia de muitas meninas nos anos 90, inclusivé eu!


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Nem tanto ao mar nem tanto à terra

A propósito de há uns dias, irem lá para casa uns colegas do meu filho, e sem querer de maneira nenhuma insinuar que somos melhores pais que a maioria, eu realmente fico incomodada com a educação que alguns pais dão aos seus filhos.

Os meus pais sempre foram muito protectores, mas talvez também derivado à minha personalidade, nunca experimentei fumar, nunca experimentei drogas e também não sou menina que aprecie álcool. Nunca me senti inclinada para certas coisas, e embora nunca tivesse muita liberdade, foi-me dada alguma e serviu para poder sair a noite, ir ao cinema e afins.
Em contrapartida, no que toca a experimentar situações, os meus pais nunca me deixaram. Em pequena, nunca pisei na neve (podia constipar), nunca andei de bicicleta (podia cair), nunca nadei (podia afogar). Fui a esse nível, criada numa redoma de vidro, como se fosse frágil e me pudesse partir a qualquer momento.
Talvez por isso também hoje não quero isso para o meu filho, embora confesso que tenha sido uma coisa que foi trabalhada, o meu instinto sempre foi o não experimentar. Coube ao meu marido me abrir os olhos e a mente e fazer-me perceber que o menino tinha que cair, tinha que magoar e tinha que levantar.
Os pais que ainda agora fazem este tipo de cuidado excessivo não percebem que, à primeira oportunidade de libertação, os miúdos a vão agarrar com unhas e dentes.
Perto dos pais, hoje, são pequenos soldadinhos, em que obedecem cegamente, não discutem, não ri, não chora, não fala. Não dorme em casa de amigos, não pede comida, não pede sumo, não come gomas, nem chicletes, não brinca na lama e não corre à chuva.
Eu fui assim e vejo hoje o quanto isso me marcou. Não quero isso para o meu filho e os pais que assim o fazem arriscam-se a ter uns filhos rebeldes e revoltados de futuro.